Eu tenho um estúdio de fotografia que tem aquela luz suave de fim de tarde que entra pelas frestas da persiana como se fosse um convite a sempre fotografar silhuetas e o corpo seminu, já que trabalho com fotos íntimas, aquelas que capturam a pele, o tesão, o corpo como poesia. Tenho aqui a oportunidade de capturar a vulnerabilidade do corpo nú e transformar em arte.
Sempre acreditei que meu trabalho exigia uma distância segura. Um passo atrás do que se sente, um passo à frente do que se mostra. Fotografar era, para mim, um modo elegante de tocar sem ser tocado, de ver sem me comprometer. Eu decidia o enquadramento, a luz, o momento do clique e isso me mantinha inteiro, protegido. Pelo menos era o que eu dizia a mim mesmo.
Nas segundas, quase não tenho clientes, e em uma segunda silenciosa, enquanto revisava algumas fotos no computador, o aviso de mensagem vibrou no celular.
“Oi… me chamaram de Thaty. Disseram que você fotografa… desse jeito especial.”
Eu fixei o meu olhar, curioso. O nome não me era estranho, mas não havia a foto da tal Thaty no perfil. Havia algo na pontuação, no ritmo das palavras, que entregava um certo nervosismo e me gerava desejo.
Respondi com aquela cautela profissional que mascarava a minha curiosidade:
“Depende do que você procura, Thaty. O que você deseja fotografar?”
Demorou dois minutos. Enquanto esperava, percebi que não estava apenas aguardando uma resposta. Havia algo incômodo naquele intervalo, como se eu tivesse aberto uma porta que raramente abria. Apoiei o celular na mesa, mas meus olhos insistiam em voltar para a tela, atentos demais para alguém que se dizia apenas profissional.
Pouco para quem tem vergonha, muito para quem tem pressa.
“Não é sobre nudez. É sobre… me ver de outro jeito. Quero uma foto que mostre o que nem eu mesma consigo enxergar.”
Isso me tocou como um pequeno impacto no peito. A maioria buscava sensualidade. Thaty buscava significado.
Eu perguntei se ela queria mandar uma referência, uma ideia, uma foto simples, qualquer coisa para ele sentir a vibração da pessoa por trás da mensagem.
A resposta veio diferente do esperado:
“Posso te mandar um áudio? Minha voz diz melhor.”
Coloquei o celular de lado e ouvi. A voz dela não era tímida. Era firme, baixa, com uma hesitação calculada, como quem sabe o poder que tem, mas não o usa de forma óbvia.
“Eu quero uma foto minha… que pareça que estou quase dizendo algo proibido. Mas que não digo. Quero parecer segura. Quero parecer… eu. Você consegue?”
Quando o áudio terminou, o estúdio pareceu maior. Não pelo espaço, mas pelo silêncio que ficou depois da voz dela. Esperei alguns segundos antes de responder, não por dúvida técnica, mas porque responder rápido demais seria admitir o efeito que aquelas palavras já tinham causado em mim.
Senti um arrepio involuntário. A foto do perfil apareceu depois que salvei seu número, uma linda mulher surge. Mas o arrepio não era pelo desejo em si, mas pela entrega.
“Sim, consigo.”, respondi
“Mas você vai precisar confiar em mim. E em você.”
Houve mais silêncio. Depois:
“Quero marcar para sexta. À noite. Gosto da ideia de que fotos importantes acontecem quando o dia já não vê.”
Ao ler eu sorri. Entendi bem aquilo, algumas almas só se revelam no escuro.
Quando a sexta chegou, o estúdio parecia outro. Havia preparado uma luz baixa, tons quentes, um espaço confortável, uma música estilo Lana Del Rey, e às 20h13, ouviu três batidas leves na porta.
Ao abrir, encontrei uma mulher de olhar profundo, vestido simples, mas com uma presença que preenchia mais que qualquer lente. Era Thaty.
Notei as mãos dela antes de qualquer outra coisa. Não tremiam. Seguravam a bolsa com firmeza, como quem sabe exatamente onde está e por que veio. Aquilo me desarmou. Clientes costumam chegar carregando expectativas. Thaty chegou carregando presença.
Ela entrou devagar, observando o ambiente como se estivesse estudando o próprio reflexo ainda inexistente.
Respirei, e sincero disse:
“Imaginei alguém que sabe o que quer, mas finge que não sabe. E acertei.”
Thaty sorriu com o canto da boca, aquele sorriso que nunca é inteiro, porque o mistério completa a outra metade.
Ela se posicionou diante da câmera. Ajustei a luz. E pela primeira vez em muito tempo, senti que não estava apenas fotografando: estava sendo fotografado, de algum modo.
A sessão durou uma hora. Poucas poses. Nada muito explícito. Mas cada gesto tinha uma tesão, uma provocação contida, uma verdade que só dois estranhos poderiam construir juntos.
Quando terminou, Thaty se aproximou para ver a primeira imagem na tela ainda com sua lingerie.
A foto mostrava ela de lado, olhos meio fechados, lábios entreabertos como quem está prestes a confessar um desejo, mas decide guardar. Era forte. Era elegante. Era ela.
Thaty colocou a mão no meu ombro.
“Era isso. Obrigada… por me enxergar.”
Antes de ir, deixou uma última mensagem escrita em um post-it colado na parede do estúdio:
“A segunda sessão… você escolhe quando.”
Depois que ela saiu, não desliguei a luz imediatamente. Fiquei ali, parado, olhando o espaço vazio onde ela esteve minutos antes. A câmera ainda estava quente nas minhas mãos, mas era outra coisa que insistia em permanecer. Não era imagem. Era a sensação de que algo tinha sido iniciado sem data para terminar.
Olhando o papel, senti um sorriso involuntário surgir.
Eu fotografava corpos.
Mas Thaty… Thaty fotografava algo dentro de mim.
Não sei exatamente por que deixei que Thaty decidisse o ritmo, mas desde a primeira sessão algo nela ficou preso em mim. Não era só desejo, embora houvesse isso, pulsando. Era a sensação de que, quando ela entrava no estúdio, a luz mudava. Como se ela deslocasse o ar ao redor.
Os dias seguintes passaram com uma lentidão estranha. Fotografei outros corpos, outras histórias, mas nada se fixava. Em alguns momentos, me pegava ajustando a luz sem necessidade, como se ela fosse entrar pela porta a qualquer instante. Percebi então que aquela primeira sessão não tinha terminado quando ela saiu.
Fui eu quem sugeriu a segunda sessão.
E ela não hesitou.
“Hoje quero você menos fotógrafo e mais…”
Foi o que respondeu.
Isso me atravessou.
Cheguei cedo, ajustei a luz baixa, quase quente demais. Não era um estúdio. Era uma câmara de tensão. E quando ela bateu na porta, três toques suaves, os mesmos da primeira vez, senti meu corpo responder antes da razão.
Ela entrou usando uma camisa branca longa, dessas que parecem roubadas de alguém. Talvez tivesse sido. Talvez fosse só uma provocação.
“Você escolheu o dia,” ela disse, fechando a porta devagar com a ponta dos dedos.
“E por quê?”, completou.
Respirei fundo antes de responder:
“Porque você mexeu comigo.”
Ela riu. Não um riso aberto, um riso curto, cheio de certeza.
“Então fotografa isso.”
Thaty caminhou até o fundo do estúdio. A camisa balançava pouco, revelando seu corpo nu. Eu ajustei a câmera, mas a verdade é que minha mão tremia levemente. Não de nervoso mas de vontade.
“Quero você assim,” falei, “sem máscara. Olhando pra mim, não pra lente”
Ela se virou devagar.
E foi ali que senti: ela sabia exatamente o efeito que causava. Sabia e usava.
Encostou-se na parede, uma luz âmbar pegando só o lado esquerdo do rosto. Parecia que a pele saía sozinha para respirar.
“E você? Vai ficar só atrás da câmera hoje?”
A pergunta dela veio baixa, como se escorresse no ar.
Eu me aproximei.
Não encostei.
Mas cheguei perto o suficiente para que ela percebesse que eu estava muito excitado.
“Depende do que você quer registrar,” murmurei.
Thaty levantou o rosto, e nossos olhos ficaram tão perto que eu podia sentir a respiração dela tocando a minha.
“Quero registrar… o momento exato em que você perde o controle.”
Meu estômago afundou.
Meu peito subiu.
E a câmera pesou na minha mão de um jeito quase simbólico.
Thaty sustentou o olhar por mais tempo do que o habitual. Não havia pressa nem recuo. Apenas um entendimento silencioso, desses que não precisam ser explicados. Ela não pediu nada. Apenas permaneceu ali, como quem oferece e, ao mesmo tempo, autoriza.
Aproximei o visor do rosto dela, mas não cliquei. Não ainda.
O dedo quase tocando o obturador, enquanto minha outra mão, sem pensar, tocou os seios dela, que cedeu, apertando lentamente.
Thaty não se mexeu.
Só falou:
“Agora...”
E eu cliquei.
Não a foto, mas eu.
O desejo, o impulso, o arrepio que vinha subindo desde o primeiro “oi”.
A foto saiu tremida.
Mas verdadeira.
Porque era o instante exato em que eu a queria demais para fingir neutralidade.
Ela sorriu, olhando a imagem na pequena tela da câmera.
Eu me voltei para ela, deixando a câmera descer pelo colarinho até chegar ao chão, eu beijava ele sentindo o arrepio de seu corpo nú.
Thaty me carrega ao chão, já tirando a minha camiseta, eu levanto meus braços e a deixo fazer o que quer, desabotou minha calça, e desço ainda sobre ela, sentimos os nossos corpos nus, foi quando percebi o quanto ela estava molhadinha
Ainda beijando, ela pega meu pau e começa a esfregar em seu meio, e a cabecinha desliza querendo entrar
Aí surge um belo gemido
"Coloca tudo dentro de mim"
Eu respondo com voz suave:
"Ele vai estar todinho em você..."
Neste momento a penetração ocorre, com força e desejo. Ela com suas pernas abertas e eu alocado em seu meio, durante ela para e diz:
"Consegue me fotografar assim?"
Eu pego a câmera que estava ali no chão e ainda comendo ela, começo a disparar os cliques, sequentes e na mesma velocidade que me coloca dentro dela, ficamos na mesma posição, cada fez mais forte, seguindo de flash, até que ela goza arranhando minhas costas e eu deixo o meu gozo registrado como um clique dentro de seu corpo.
Depois, o estúdio voltou a ser apenas um estúdio. A respiração desacelerou, o silêncio reapareceu, e a luz continuava acesa como se nada tivesse acontecido. A câmera repousava no chão, testemunha muda de algo que não cabia em enquadramento algum. Foi ali que entendi: algumas imagens não são feitas para serem vistas. São feitas para permanecer.